Direitos Humanos e Psicologia

                   Blog do Clayton Severiano

quinta, 8/janeiro/2009 at 14:16

Filme: “O Caçador de Pipas”

O filme “O Caçador de Pipas” (The Kite Runner), baseado no best-seller do escritor Khaled Hosseini, conta a história da amizade de dois meninos afegãos.

A história se passa em dois momentos históricos do Afeganistão: primeiro quando estava dominado pelo exército Russo, e depois, quando esteve sob o poder dos Talibãs.

Em minha opinião, o filme possui algumas lacunas na questão histórica e política. Ficou-me a impressão de Ocidente do Bem x Oriente do Mal, da qual não compartilho. No entanto, achei que valeu à pena assistir ao filme, por dois motivos.

Primeiro porque foi escrito por um afegão e trata das questões sobre o Oriente Médio. E embora a meu ver não as trate de uma forma muito equânime, estimula o debate e dá mais visibilidade às questões em torno dos conflitos naquele local. Para nós, que assistimos estarrecidos a esse genocídio em Gaza, discutir esse assunto me parece de fundamental importância.

Em segundo lugar, porque - do ponto de vista da psicologia social - o filme fala das relações entre os seres humanos: das profundas discrepâncias que a divisão de classes e castas pode provocar na vida das pessoas, e de como essa existência desigual arruína nossas práticas de justiça, equidade e diversidade.

Na internet há várias avaliações para o filme (reproduzo algumas abaixo). Gostaria também de partilhar a minha: a escravização de um povo pelo outro provoca inevitavelmente a quebra da dignidade para ambos os povos, com nítido prejuízo para o povo escravizado.

O menino Amir não pode ser taxado de traidor, covarde: é apenas uma criança. Suas ações refletem os valores reinantes em sua cultura, a de que algumas pessoas são “menos” pessoas que outras. A meu ver é justamente isso que Amir faz: coloca ou deixa o amigo em seu “devido” lugar, o de uma pessoa supostamente inferior.

O menino Hassan, por sua vez, assume o papel daqueles que são duramente castigados pelo preconceito da discriminação de classes: demonstram lealdade total, mas, em troca, recebem apenas o desprezo das classes dominantes.

Outros comentários (podem conter detalhes do filme):

2
  • 1

    O filme me fez lembrar das minhas amizades da infância. Poucas restaram desde aquela época. Apesar disso, sinceras.

    KK on janeiro 8th, 2009
  • 2

    Bons tempos aqueles, né Kaká, em que podíamos ficar brincando nas rua com os/as colegas até à noite. Hoje, com o aumento da violência urbana, restaram para nossas crianças apenas ficar em casa, assistindo à televisão (para a maioria dos/as brasileiros/as) ou navegando na internet (para uns/umas poucos/as).

    admin on janeiro 8th, 2009

 

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