O filme “O Caçador de Pipas” (The Kite Runner), baseado no best-seller do escritor Khaled Hosseini, conta a história da amizade de dois meninos afegãos.
A história se passa em dois momentos históricos do Afeganistão: primeiro quando estava dominado pelo exército Russo, e depois, quando esteve sob o poder dos Talibãs.
Em minha opinião, o filme possui algumas lacunas na questão histórica e polÃtica. Ficou-me a impressão de Ocidente do Bem x Oriente do Mal, da qual não compartilho. No entanto, achei que valeu à pena assistir ao filme, por dois motivos.
Primeiro porque foi escrito por um afegão e trata das questões sobre o Oriente Médio. E embora a meu ver não as trate de uma forma muito equânime, estimula o debate e dá mais visibilidade à s questões em torno dos conflitos naquele local. Para nós, que assistimos estarrecidos a esse genocÃdio em Gaza, discutir esse assunto me parece de fundamental importância.
Em segundo lugar, porque - do ponto de vista da psicologia social - o filme fala das relações entre os seres humanos: das profundas discrepâncias que a divisão de classes e castas pode provocar na vida das pessoas, e de como essa existência desigual arruÃna nossas práticas de justiça, equidade e diversidade.
Na internet há várias avaliações para o filme (reproduzo algumas abaixo). Gostaria também de partilhar a minha: a escravização de um povo pelo outro provoca inevitavelmente a quebra da dignidade para ambos os povos, com nÃtido prejuÃzo para o povo escravizado.
O menino Amir não pode ser taxado de traidor, covarde: é apenas uma criança. Suas ações refletem os valores reinantes em sua cultura, a de que algumas pessoas são “menos” pessoas que outras. A meu ver é justamente isso que Amir faz: coloca ou deixa o amigo em seu “devido” lugar, o de uma pessoa supostamente inferior.
O menino Hassan, por sua vez, assume o papel daqueles que são duramente castigados pelo preconceito da discriminação de classes: demonstram lealdade total, mas, em troca, recebem apenas o desprezo das classes dominantes.
Outros comentários (podem conter detalhes do filme):




O filme me fez lembrar das minhas amizades da infância. Poucas restaram desde aquela época. Apesar disso, sinceras.
Bons tempos aqueles, né Kaká, em que podÃamos ficar brincando nas rua com os/as colegas até à noite. Hoje, com o aumento da violência urbana, restaram para nossas crianças apenas ficar em casa, assistindo à televisão (para a maioria dos/as brasileiros/as) ou navegando na internet (para uns/umas poucos/as).