Considero o filme The Corporation (As Empresas, ou As Corporações) fundamental para a compreensão do sistema econômico e político em que vivemos.
Acredito que a psicologia social, ou a psicologia de um modo geral, não possa ignorar o impacto fulminante que têm as empresas nas nossas vidas, os problemas generalizados de saúde (incluídos aí os da saúde psicológica) que elas podem causar de forma direta e indireta, já que, ou trabalhamos para elas, ou, se somos pequenos proprietários ou profissionais autônomos, o poder que elas exercem nas grandes economias nos atinge diretamente.
The Corporation é um documentário americano feito por um grupo de pessoas que resolveram esclarecer algumas coisas não ditas pelo sistema capitalista. A temática se concentra em torno de como as empresas não têm e nunca tiveram, de forma efetiva e eficaz, uma Responsabilidade Social. O filme coloca as Empresas em um divã e mostra, nas estranhas, as artimanhas utilizadas pelas grandes empresas para iludir, enganar, esconder, maquiar, sabotar, corromper, subornar e até matar as pessoas que atravessam o caminho delas.
As Pessoas Jurídicas são aparentemente entidades com vida própria e não evidenciam as pessoas físicas que estão por trás delas. Elas se coligam, na maior parte das vezes de forma muito sub-reptícia, aos grandes grupos de poder, dentre os quais se destacam o Estado com seu aparato de guerra, a Indústria Bélica, os Banqueiros, a Mídia, e as agências como a Igreja e a Escola.
O filme é longo e denso, tive que assisti-lo duas ou três vezes, e além das locadoras, está disponível em inglês no YouTube em 23 capítulos.
O filme me mobilizou a ação: participar ativamente das decisões de grande impacto para a sociedade, que na maioria das vezes, são políticas: identificar de forma muito clara as práticas herdadas do império romano de “pão e circo” que pagam um salário ínfimo ao trabalhador(a) (um “pão seco” para matar a fome) e entopem a cabeça desse(a) mesmo(a) trabalhador(a) com muito circo (só futebol, só telenovela, etc). Saciadas com o “pão seco” e alienadas pelo “circo”, esses(as) trabalhadores(as) não denunciam a exploração das longas jornadas de trabalho, dos salários baixos, das péssimas condições de trabalho, da falta de saúde, de lazer e de educação, da falta de moradia, da omissão e conivência do Estado com tudo isso e, principalmente, da perda da DIGNIDADE.
Outros comentários:




[...] Ao assistir ao filme Tempos Modernos (Modern Times) pensei muito sobre os meios de produção, sobre as opções que temos para ganhar a vida. A fábrica retratada por Chaplin simboliza as empresas, as corporações. Hoje são elas que controlam os meios de produção e por isso controlam a vida social, inclusive o Estado, pois este está a serviço delas. Já falei sobre isso aqui neste Blog no artigo “Festas de final de ano e Consumismo“, na qual indico o vídeo “A história das coisas”, e no artigo em que comento o Filme: “The Corporation“. [...]