Divulgo aqui um pequeno trecho da matéria de Ana Lúcia Azevedo “A MÃE IMORTAL DA MEDICINA” (clique aqui para ler o texto completo).
O artigo fala de Henrietta Lacks, uma mulher negra, pobre e injustiçada por uma ciência desumanizada. Suas células ficaram para a história e são utilizadas até hoje pela ciência. Mas aqueles que, como ela, não tem recursos financeiros para pagar um sistema de saúde de qualidade, continuam morrendo nas listas de espera dos sistemas públicos de saúde.
Em 4 de outubro de 1951, uma mulher chamada Henrietta Lacks morria, após meses de sofrimento, numa ala destinada a “pessoas de cor”, no Hospital Johns Hopkins, em Baltimore, Estados Unidos. Aos 31 anos, Henrietta fora derrotada por um câncer de colo de útero. Deixou cinco filhos órfãos. A doença devastou sua famÃlia. Mas Henrietta, sem saber, possibilitou uma revolução na medicina. Uma revolução que está por trás de uma imensidão de avanços médicos - da vacina da pólio à quimioterapia. Mas a história de Henrietta é também um drama sobre injustiças dos sistemas de saúde, impessoalidade da ciência, pobreza e racismo.
Lançado este ano nos EUA e no Reino Unido, “The imortal life of Henrietta Lacks” (”A vida imortal de Henrietta Lacks”, Ed. Crown, sem previsão de lançamento no Brasil), da escritora e médica americana Rebecca Skloot, abriu uma discussão sobre direitos de informação de pacientes e o acesso à medicina. E incomodou muita gente, de pesquisadores a grandes laboratórios farmacêuticos.
As células de Henrietta foram extraÃdas de seu tumor sem o seu consentimento durante uma cirurgia, meses antes de sua morte. Nem ela nem o marido Day Lacks foram informados pelo médico George Gey de que uma parte do tumor seria usada em pesquisa - um procedimento padrão naquela época. “Hoje, pacientes precisam dar um consentimento geral antes de uma cirurgia, mas se amostras de células forem usadas depois em pesquisa, os médicos não precisam lhe contar”, destacou Rebecca Skloot.
A cirurgia não salvou a vida de Henrietta, mas as células possibilitaram alguns dos mais importantes progressos da medicina nos últimos 60 anos. Conhecidas pelo nome de código HeLa - das iniciais de Henrietta - elas se tornaram a primeira linhagem imortal da história. Por muitos anos, cientistas tentaram multiplicar células em laboratório, mas elas sempre morriam. As células de Henrietta foram as primeiras a se replicar indefinidamente. Em termos cientÃficos, são imortais. Ninguém sabe exatamente por que as células HeLa se multiplicam tão bem. Uma explicação seria a extrema agressividade do tumor que matou Henrietta.” (Do artigo: “A mãe imortal da medicina“)
(Agradeço à colega Silvany pela dica do artigo.)



